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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Os governos de Vargas (1930 - 1937)

Os governos de Vargas

            Getúlio Dornellas Vargas fica no poder entre 03/nov/1930 e até 29/out/1945 (e isso é só a primeira fase de seu governo, haverá mais uma entre 1950 e 1954).
            Vargas preocupa-se nos primeiros anos em apoiar-se na Aliança Liberal e em um grupo de tenentes que lutaram em 1930 e o apoiam. O “presidente” apostava em projetos de “modernização” que beneficiassem a burguesia nacional, especialmente na área industrial.
            A partir das pressões, especialmente depois do movimento constitucionalista de 1932 em S. Paulo, Vargas tenta se manter no poder sem estar preso diretamente a outros grupos. No entanto, ele procura sempre ter apoio dos trabalhadores. É Nesse sentido que Vargas vê com bons olhos o atendimento de reivindicações dos trabalhadores urbanos para a criação e aprovação de leis trabalhistas. Assim começa a nascer o mito “Vargas, pai dos pobres”.
            Essa preocupação de Vargas em satisfazer alguns poucos anseios dos trabalhadores urbanos cria uma enorme rivalidade com o PCB, esta  teve grande influência no cenário político até 1954.
            Em 1932 Vargas enfrenta o movimento constitucionalista de S. Paulo. Houve uma sangrenta guerra em que as elites e a “classe média” paulista queriam exigir eleições e um tratamento mais atencioso, pois até o interventor que Vargas nomeou para S. Paulo desagradava (era o paraibano João Alberto que não conhecia nada em S. Paulo). Há uma guerra civil entre os "paulistas" e o governo federal. Vargas, muito espertamente, usa a situação para dizer que os paulistas estavam querendo voltar à "República Velha". Assim, joga o país contra as forças militares paulistas, vencendo-as. Após o fim da guerra civil, Getúlio faz acordo com as elites de S. Paulo, voltando a prática de comprar o excedente de café...


        Além disso, Vargas incentiva a aprovação de uma nova constituição em 1934. Lembre-se que por seu governo ser provisório, existia uma cobrança de eleições livres, porém Vargas tinha uma ideia de "arrumar" o país antes das eleições e, secretamente, de não sair do poder... Baseando-se nisso, em 1934 Vargas faz o “empossamento” de um novo presidente: ele mesmo! Tornava-se um presidente não-provisório. Perceba: Vargas é um apaixonado pelo poder.
            A constituição de 1934 era “corporativista”, porque continha algumas ideias fascistas do corporativismo.  Todas as formas de organização da sociedade são ligadas à classe econômica do grupo a que a lei se refere, logo havia direitos diferentes a grupos diferentes. Além disso, Getúlio começa a abrir caminho para se manter no poder: menor interferência do judiciário no poder do presidente, eliminação do cargo de vice-presidente etc. Esta constituição entra em vigor, mas não durará, sendo substituída em 1937.

            Em novembro de 1935 ocorre uma tentativa de revolta nos quartéis  em Recife e em Natal. Em Pernambuco, a coisa era liderada pelo PCB (Partido Comunista do Brasil), ligado a Luis Carlos Prestes (que nesse momento está no Rio de Janeiro preparando uma "Revolução Socialista" com apoio da URSS). Inimigos dos comunistas, os fascistas da AIB (Ação Integralista Brasileira) chamam essa fato de "Intentona comunista". No entanto, essa visão diminui a proporção da coisa, pois havia outros grupos envolvidos na tentativa de derrubar Getúlio e promover o que foi prometido em 1930.
         1935 foi um último suspiro do tenentismo que se apoiava na figura de Prestes e no comunismo. A tentativa de revolta foi um enorme fracasso (Esta “revolta” está retratada no filme “Olga”). Rapidamente esmagada, criou um trauma do exército contra o comunismo...




Este episódio foi usado por Vargas com apoio dos Integralistas (fascistas brasileiros) para colocar a opinião pública contra o comunismo e empurrar as eleições mais pra frente... de 1935 a 1937, o governo Vargas vai substituindo os opositores civis e militares nos cargos importantes do país, pressionando os opositores (muitas vezes com calúnias sobre eles!). Góes Monteiro (tenente e braço direito de GV), Eurico Dutra e Vargas fazem uma campanha dizendo que o país não está pronto para eleições pois o comunismo era forte ameaça. Começava a surgir por aqui o fantasma do “Movimento Comunista Internacional” que via povoar a cabeça da direita conservadora até muito tempo depois...
Além disso os Integralistas, sob a liderança do jornalista Plínio Salgado, adoravam a ideia de que os comunistas deveriam ser emparedados. Vargas tinha influência fascista – vinda de sua formação positivista no RS. 
No Natal de 1936 Vargas liberta muitos prisioneiros políticos, muitos deles comunistas sob a alegação de ser um indulto de natal. A exceção eram os espiões estrangeiros e Luis Carlos Prestes (acusado de mandar matar uma garota que supostamente entregava os membros do PCB para a polícia durante a repressão a "revolta" de 1935). Em 1937 a verdade veio à tona: um falso plano dos comunistas e do “M.C.I.”, o plano Cohen, é anunciado por Góes Monteiro.  A mídia da época compra a ideia. O alarde está dado... O tal plano foi escrito pelo militar anti-comunista Olympio Mourão a mando de Vargas para colocar a população contra o comunismo, alegando que eles iriam tomar o poder no Brasil. Aproveitando esse clima de terror criado, Vargas anuncia em 10 de novembro de 1937 um golpe de Estado e instaura uma ditadura, o "Estado Novo" (ou o que os historiadores chamam de ditadura Vargas), que dura até 1945.
Em janeiro de 1938, 1500 integralistas - percebendo que Vargas não entregou o poder a seu líder, Plínio Salgado - atacam Vargas dentro do palácio do governo a fim de derrubá-lo. Lá dentro, Vargas, sua família e seu segurança pessoal, resistem. Depois de muito tiroteio, a polícia chega e prende os integralistas. Seu líder será extraditado para Portugal. A maioria dos seus membros vão apoiar a ditadura Vargas.