O Estado Novo
Quando Vargas dá o golpe em 1937, ele procura
desestabilizar o PCB. Para isso ele usa de opressão e cooptação sobre os
trabalhadores urbanos.
Para
isso Vargas utilizava-se de dois planos: repressão
a todas as formas de manifestação que
pudessem sair do controle dos Estado – com o PCB e cooptação - que faz com sua
própria imagem como o "Pai dos pobres", uma forma de getulismo que procura criar sobre
si mesmo a imagem de bom pai, protetor dos trabalhadores urbanos, concedendo
suas reivindicações sobre os direitos e melhores condições no trabalho. Entre
1931 e 1936 há centenas de greves que forçam o ditador a pensar numa saída a
alternativa que era o comunismo do PCB.
Vargas
tem um grande medo do PCB aumentar seus adeptos. Assim, qualquer manifestação
do partido a polícia dava porrada em todo mundo. Para isso foram criados o
temeroso DEOPS (Delegacia Estadual de Ordem Política e Social), uma espécie de
polícia política e o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) que fazia a
censura política e a propaganda do governo.
Objetivando
criar um trabalhador obediente foram recriadas
diversas práticas destes para inserir nestas idéias de apoio ao governo e ao capitalismo.
Exemplo: o sentido do 1º de maio era de ser o “dia do trabalhador”, um dia de
luta contra a exploração capitalista; mas foi transformado em “dia do
trabalho”, um dia para enaltecer o trabalho na sociedade capitalista, o que é
bem diferente. No carnaval há um "incentivo" para as escolas de samba
fazerem enredos sobre a imagem de trabalhador que Vargas queria (o "bom
malandro", o bom trabalhador, a mulata sexual, a grandeza do Brasil, o
próprio Vargas etc.). Ele chegava a
vistoriar pessoalmente o carnaval. Outro fato é que o samba, que antes não
tinha nada a ver com o carnaval, sendo inclusive combatido pela polícia por ter
um caráter politizado, é "acoplado" ao carnaval elitista e é
popularizado, despolitizando o samba. No
rádio Vargas fazia propaganda do governo na obrigatória “Hora do Brasil”,
chegando a comprar aparelhos de rádio para instalá-los nas principais praças do
RJ e de SP.
Por
outro lado, A C.L.T. (Consolidação das Leis do Trabalho) - conjunto de leis do
trabalho, garantindo direitos aos trabalhadores urbanos - foi criada. Assim os
trabalhadores deixariam de lado “idéias tão estranhas ao Brasil” como o
comunismo.
O
Estado Novo tinha dois lados, um lado repressivo, que usava o DEOPS e o DIP pra
dar porrada – inclusive com uso de tortura (que herança maldita da Igreja
católica!!), e um outro bonito, que mostrava Vargas como "Pai dos
Pobres", pronto para atender as necessidades do povo.
A
constituição criada em 1937 foi apelidada de "A Polaca" pois foi
baseada em uma constituição fascista da Polônia.
O
modelo de industrialização promovida pelo Estado Novo era uma baseava-se no
Keynesanismo (idéia de John M. Keynes: o Estado devia ajudar a burguesia a
acumular capital, desonerando-o pelo investimento em áreas de estrangulamento
como siderurgia, transporte, educação etc. e benefícios sociais para a
população). Essa industrialização ocorreria nos moldes do taylorismo, em que
além do trabalho controlado em um ambiente “agradável” e “bom” para que o
trabalhador pudesse render mai$$$. Nesse sentido é que a vida do trabalhador
também deveria ser controlada, mesmo fora das fábricas.
Durante
a Segunda Guerra, Vargas fica entre o apoio dos EUA e da Alemanha nazista,
vendo quem o dava mais dinheiro para o Brasil. Em certo momento, por pressão de
Roosevelt, entra do lado dos EUA. No norte da Itália, os brasileiros recebem
treinamento, armas e um tratamento preconceituoso por parte do exército
norte-americano. São também mandados na frente de guerra, mas – com raiva dos
“amigos da terra do Tio Sam”, não decepcionam.
Quase
ao final da guerra, os generais brasileiros mandam uma carta para Vargas
perguntando como poderiam combater aquilo que o presidente deles acreditava (o
fascismo). Era o sinal de que o fim da guerra iria mudar algo aqui dentro...
Quem eram os homens de Getúlio Vargas no Estado Novo?
- Filinto Muller:
ex-tenente, fora expulso da Coluna Prestes por mal caráter; era chefe de
polícia que tinha contato direto com Vargas, quase um braço direito dele
na repressão pois tinha função de ministro;
- Góes Monteiro:
ex-tenente; elevado a general por Vargas; cria uma doutrina de
desenvolvimento/segurança para o país que ligava o progresso à segurança
nacional; preocupa se com o "inimigo interno": o comunismo e o M.C.I.; suas idéias de
desenvolvimento e segurança nacional estava ligada a uma militarização do
Estado, política e país;
- Eurico G. Dutra:
fazia ligação com os representantes dos interesses norte-americanos no
Brasil através de contatos militares;
- Osvaldo Aranha:
vinha da elite culta de SP; fazia ligação com os representantes dos
interesses norte-americanos no Brasil através de contatos civis;
- Juarez Távora:
ex-tenente, chefe de um dos destacamentos da Coluna Prestes; faz a ligação
dos militares com os civis, inclusive com os industriais;
- Cordeiro de Farias:
ex-tenente, chefe de um dos destacamentos da Coluna Prestes; tinha
influência nos setores internos da área militar.
Todos
esses estavam unidos todos por um "inimigo comum", o comunismo. Além
disso, eles enxergavam comunismo em tudo. Tudo era ação do temível Movimento
Comunista Internacional (MCI) e dá-lhe porrada....
Alguns
nomes de comunistas que eram importantes dentro do PCB na época: Luis Carlos
Prestes, Agildo Barata, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Oscar Niemeyer e outros
desconhecidos que você ouvirá falar muito: Carlos Marighella, Maurício Grabois,
Pedro Pomar, João Amazonas...
O
Estado Novo era uma ditadura, mas
não militar. Vargas estava próximo dos militares, e tinha o apoio deles. Era
ditadura por que não havia disputa entre partidos políticos, pois estes não
existiam e o poder ficou nas mãos de uma só pessoa: Getúlio Vargas.



