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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

"Estado novo" ou ditadura Vargas (1937 - 1945)

O Estado Novo

            Quando Vargas dá o golpe em 1937, ele procura desestabilizar o PCB. Para isso ele usa de opressão e cooptação sobre os trabalhadores urbanos.
Para isso Vargas utilizava-se de dois planos: repressão a todas as  formas de manifestação que pudessem sair do controle dos Estado – com o PCB e cooptação -  que faz com sua própria imagem como o "Pai dos pobres", uma forma de getulismo que procura criar sobre si mesmo a imagem de bom pai, protetor dos trabalhadores urbanos, concedendo suas reivindicações sobre os direitos e melhores condições no trabalho. Entre 1931 e 1936 há centenas de greves que forçam o ditador a pensar numa saída a alternativa que era o comunismo do PCB.
Vargas tem um grande medo do PCB aumentar seus adeptos. Assim, qualquer manifestação do partido a polícia dava porrada em todo mundo. Para isso foram criados o temeroso DEOPS (Delegacia Estadual de Ordem Política e Social), uma espécie de polícia política e o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) que fazia a censura política e a propaganda do governo.
Objetivando criar um trabalhador obediente foram recriadas diversas práticas destes para inserir nestas idéias de apoio ao governo e ao capitalismo. Exemplo: o sentido do 1º de maio era de ser o “dia do trabalhador”, um dia de luta contra a exploração capitalista; mas foi transformado em “dia do trabalho”, um dia para enaltecer o trabalho na sociedade capitalista, o que é bem diferente. No carnaval há um "incentivo" para as escolas de samba fazerem enredos sobre a imagem de trabalhador que Vargas queria (o "bom malandro", o bom trabalhador, a mulata sexual, a grandeza do Brasil, o próprio Vargas etc.). Ele  chegava a vistoriar pessoalmente o carnaval. Outro fato é que o samba, que antes não tinha nada a ver com o carnaval, sendo inclusive combatido pela polícia por ter um caráter politizado, é "acoplado" ao carnaval elitista e é popularizado, despolitizando o samba.  No rádio Vargas fazia propaganda do governo na obrigatória “Hora do Brasil”, chegando a comprar aparelhos de rádio para instalá-los nas principais praças do RJ e de SP.
Por outro lado, A C.L.T. (Consolidação das Leis do Trabalho) - conjunto de leis do trabalho, garantindo direitos aos trabalhadores urbanos - foi criada. Assim os trabalhadores deixariam de lado “idéias tão estranhas ao Brasil” como o comunismo.
O Estado Novo tinha dois lados, um lado repressivo, que usava o DEOPS e o DIP pra dar porrada – inclusive com uso de tortura (que herança maldita da Igreja católica!!), e um outro bonito, que mostrava Vargas como "Pai dos Pobres", pronto para atender as necessidades do povo.
A constituição criada em 1937 foi apelidada de "A Polaca" pois foi baseada em uma constituição fascista da Polônia.
O modelo de industrialização promovida pelo Estado Novo era uma baseava-se no Keynesanismo (idéia de John M. Keynes: o Estado devia ajudar a burguesia a acumular capital, desonerando-o pelo investimento em áreas de estrangulamento como siderurgia, transporte, educação etc. e benefícios sociais para a população). Essa industrialização ocorreria nos moldes do taylorismo, em que além do trabalho controlado em um ambiente “agradável” e “bom” para que o trabalhador pudesse render mai$$$. Nesse sentido é que a vida do trabalhador também deveria ser controlada, mesmo fora das fábricas.
Durante a Segunda Guerra, Vargas fica entre o apoio dos EUA e da Alemanha nazista, vendo quem o dava mais dinheiro para o Brasil. Em certo momento, por pressão de Roosevelt, entra do lado dos EUA. No norte da Itália, os brasileiros recebem treinamento, armas e um tratamento preconceituoso por parte do exército norte-americano. São também mandados na frente de guerra, mas – com raiva dos “amigos da terra do Tio Sam”, não decepcionam.
Quase ao final da guerra, os generais brasileiros mandam uma carta para Vargas perguntando como poderiam combater aquilo que o presidente deles acreditava (o fascismo). Era o sinal de que o fim da guerra iria mudar algo aqui dentro...


Quem eram os homens de Getúlio Vargas no Estado Novo?

  • Filinto Muller: ex-tenente, fora expulso da Coluna Prestes por mal caráter; era chefe de polícia que tinha contato direto com Vargas, quase um braço direito dele na repressão pois tinha função de ministro;
  • Góes Monteiro: ex-tenente; elevado a general por Vargas; cria uma doutrina de desenvolvimento/segurança para o país que ligava o progresso à segurança nacional; preocupa se com o "inimigo interno":   o comunismo e o M.C.I.; suas idéias de desenvolvimento e segurança nacional estava ligada a uma militarização do Estado, política e país;
  • Eurico G. Dutra: fazia ligação com os representantes dos interesses norte-americanos no Brasil através de contatos militares;
  • Osvaldo Aranha: vinha da elite culta de SP; fazia ligação com os representantes dos interesses norte-americanos no Brasil através de contatos civis;
  • Juarez Távora: ex-tenente, chefe de um dos destacamentos da Coluna Prestes; faz a ligação dos militares com os civis, inclusive com os industriais;
  • Cordeiro de Farias: ex-tenente, chefe de um dos destacamentos da Coluna Prestes; tinha influência nos setores internos da área militar.

Todos esses estavam unidos todos por um "inimigo comum", o comunismo. Além disso, eles enxergavam comunismo em tudo. Tudo era ação do temível Movimento Comunista Internacional (MCI) e dá-lhe porrada....
Alguns nomes de comunistas que eram importantes dentro do PCB na época: Luis Carlos Prestes, Agildo Barata, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Oscar Niemeyer e outros desconhecidos que você ouvirá falar muito: Carlos Marighella, Maurício Grabois, Pedro Pomar, João Amazonas...
O Estado Novo era uma ditadura, mas não militar. Vargas estava próximo dos militares, e tinha o apoio deles. Era ditadura por que não havia disputa entre partidos políticos, pois estes não existiam e o poder ficou nas mãos de uma só pessoa: Getúlio Vargas.