O café e o crescimento de São Paulo
Desde a década de 1860 as
plantações de café expandiram-se pelo Vale do Paraíba (entre o RJ e MG) e
acabaram por “marchar” até o interior de S. Paulo, conhecido como Oeste paulista.
Como no final do século 19 o café tinha as vendas garantidas para os
norte-americanos e europeus, as plantações cresceram progressivamente,
requerendo cada vez mais investimentos e trabalhadores. Assim, a cafeicultura em S. Paulo vai proporcionar
ao desenvolvimento da região: (a) agricultura produtora de alimentos e matérias
– primas; (b) o sistema ferroviário paulista; (c) expansão do sistema bancário
e do comércio de exportação e importação; (d) infra-estrutura: portos,
armazéns, transportes urbanos, comunicações e modernização de cidades como S.
Paulo e Santos; (e) gasto público do Estado, federal ou estadual; (f) atividade
industrial em: equipamentos para o beneficiamento do café, sacaria de juta para
o café, manufaturas – especialmente em tecidos; (g) os saldos positivos da
balança comercial com o exterior e com o resto do país; (h) os investimentos do
capital externo; (i) as políticas tarifária, monetária, de câmbio, e as
políticas de defesa e valorização do café; (j) movimento imigratório e (l) a disponibilidade
de terras.
A união no mesmo espaço-tempo
desses fatores gerou: redução dos custos da mão-de-obra e a ampliação do nível
da produtividade, do excedente, do mercado; além da diversificação dos
investimentos. Com o tempo e as vendas do café em alta, os fazendeiros tiveram
uma sobra de capital que não permitia investir somente em mais cafezais. Por
isso, começaram a diversificar a aplicação do capital em direção as atividades
mais progressistas como o mercado bancário e as indústrias. Também, os comerciantes
e comissários “atravessadores” do café que não queriam ficar como simples
vendedores dependendo dos outros para sobreviver, começaram a aplicar em
indústrias e bancos. Portanto, o capital cafeeiro, em suas fases de expansão,
deu origem ao capital industrial e bancário bem como a própria modernização de
S. Paulo. Muito diferente se comparado com o resto “pobre” do país.
Assim, podemos concluir: além
do investimento de capital, é bom lembrarmos que os trabalhadores imigrantes
que vinham para as fazendas de café fugiam para a cidade de S. Paulo a fim de
tentar uma vida melhor. Até mesmo as primeiras levas de trabalhadores para as
indústrias de S. Paulo na passagem do século 19 ao 20 foram fruto da expansão
cafeeira. Mas, também a manutenção de baixos salários e a tentativa de
desmobilizar seus movimentos pelo excesso de mão-de-obra na região foram
herdados do café. Nisso as oligarquias agrárias e industriais davam as mãos...
(o termo oligarquia vem do grego e
significa os mais ricos no poder).
A burguesia industrial de S.
Paulo formou-se de fazendeiros, imigrantes ricos e de ex-comerciantes, mas não
foi de repente. Uma classe social (seja ela a burguesia ou os operários) só tem
sua “auto-formação” durante o próprio
processo de luta de classes.