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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O café o crescimento de São Paulo (século 19)

O café e o crescimento de São Paulo

Desde a década de 1860 as plantações de café expandiram-se pelo Vale do Paraíba (entre o RJ e MG) e acabaram por “marchar” até o interior de S. Paulo, conhecido como Oeste paulista. Como no final do século 19 o café tinha as vendas garantidas para os norte-americanos e europeus, as plantações cresceram progressivamente, requerendo cada vez mais investimentos e trabalhadores. Assim, a cafeicultura em S. Paulo vai proporcionar ao desenvolvimento da região: (a) agricultura produtora de alimentos e matérias – primas; (b) o sistema ferroviário paulista; (c) expansão do sistema bancário e do comércio de exportação e importação; (d) infra-estrutura: portos, armazéns, transportes urbanos, comunicações e modernização de cidades como S. Paulo e Santos; (e) gasto público do Estado, federal ou estadual; (f) atividade industrial em: equipamentos para o beneficiamento do café, sacaria de juta para o café, manufaturas – especialmente em tecidos; (g) os saldos positivos da balança comercial com o exterior e com o resto do país; (h) os investimentos do capital externo; (i) as políticas tarifária, monetária, de câmbio, e as políticas de defesa e valorização do café; (j) movimento imigratório e (l) a disponibilidade de terras.

A união no mesmo espaço-tempo desses fatores gerou: redução dos custos da mão-de-obra e a ampliação do nível da produtividade, do excedente, do mercado; além da diversificação dos investimentos. Com o tempo e as vendas do café em alta, os fazendeiros tiveram uma sobra de capital que não permitia investir somente em mais cafezais. Por isso, começaram a diversificar a aplicação do capital em direção as atividades mais progressistas como o mercado bancário e as indústrias. Também, os comerciantes e comissários “atravessadores” do café que não queriam ficar como simples vendedores dependendo dos outros para sobreviver, começaram a aplicar em indústrias e bancos. Portanto, o capital cafeeiro, em suas fases de expansão, deu origem ao capital industrial e bancário bem como a própria modernização de S. Paulo. Muito diferente se comparado com o resto “pobre” do país.

Assim, podemos concluir: além do investimento de capital, é bom lembrarmos que os trabalhadores imigrantes que vinham para as fazendas de café fugiam para a cidade de S. Paulo a fim de tentar uma vida melhor. Até mesmo as primeiras levas de trabalhadores para as indústrias de S. Paulo na passagem do século 19 ao 20 foram fruto da expansão cafeeira. Mas, também a manutenção de baixos salários e a tentativa de desmobilizar seus movimentos pelo excesso de mão-de-obra na região foram herdados do café. Nisso as oligarquias agrárias e industriais davam as mãos... (o termo oligarquia vem do grego e significa os mais ricos no poder).


A burguesia industrial de S. Paulo formou-se de fazendeiros, imigrantes ricos e de ex-comerciantes, mas não foi de repente. Uma classe social (seja ela a burguesia ou os operários) só tem sua “auto-formação” durante o próprio processo de luta de classes.