O tenentismo (1922 – 1930)
Após a 1ª Guerra Mundial, o governo brasileiro – vendo que o exército
estava muito despreparado em relação a outros exércitos europeus – decide
mandar tenentes para estudar na França. Um tenente é um aspirante a cargos mais
altos no exército. Para isso, ele deve estudar dentro da instituição.
Quando estes voltam, se deparam com um exército despreparado, sem
equipamentos, sem estrutura para melhorias (estudo, logística etc.). A decepção
é enorme. Esses tenentes começam a criticar o exército, mas logo essas se
voltam para o governo das oligarquias, que não investem em nada que não esteja
voltado a seus interesses, segundo os próprios tenentes. Além disso, eles eram
preocupados com as condições sociais e políticas do país e veem na grande
pobreza no povo brasileiro e na corrupção do governo, os maiores problemas do
Brasil.
Em 1922, no Forte de Copacabana (RJ), ocorre a primeira conspiração de
tenentes com o objetivo de derrubar o governo. As primeiras ideias foram de
marchar até o Palácio do Catete (sede do governo federal). No entanto, “na hora
H”, a maioria dos tenentes desiste. Alguns poucos tenentes decidem sair às ruas
mesmo assim. São 17 tenentes armados e com pedaços da bandeira do Brasil presas
ao peito. Na rua, um civil se junta a eles. Porém, os planos haviam vazado e
tropas do governo cercavam o local. Houve troca de tiros e apenas 2 tenentes
sobrevivem.
Revoltados com a repressão que o governo federal realizou em Copacabana,
de 1922 até 1924, começaram a estourar manifestações tenentistas em diversos
fortes do país. Em 1924 eles tomam a cidade de São Paulo, liderados pelos
tenentes Miguel Costa e Siqueira Campos. Durante as duas semanas que dominaram
a cidade, a estratégia das tropas fiéis ao governo era bombardear os bairros
operários, pois estes eram o principal apoio dos tenentes. Só pra você ter uma
ideia, em 1924, há mais de 900 greves em São Paulo (!).
Em sua maioria anarquistas, os líderes operários pediram para Siqueira
Campos para dar armas para os operários. A princípio, os tenentes acharam uma
boa ideia. Mas, dias depois conversando com industriais foram alertados de que “os
operários vão fazer aqui, o que fizeram na Rússia!”. Depois dessa, desistiram
de da ideia.
Percebendo o impacto que os fortes bombardeios causavam ao povo de São
Paulo, os tenentes decidem se retirar da cidade, rumo a oeste, em direção a Foz
do Iguaçu. No caminho, são atacados pelas tropas governistas.
Ao mesmo tempo, um ex-tenente apelidado de "Bigodinho" (era o
capitão de engenharia civil Luiz Carlos Prestes), foi mandado a Santo Ângelo (interior
do RS) para supervisionar a construção de quartéis, devido a suspeita de tramar
a revolta em Copacabana em 1922. Ele não pode participar, pois estava doente,
com tifo. No sul do Brasil, Prestes organiza os tenentes para um a rebelião. O
governo federal manda tropas de Porto Alegre para a região, mas os tenentes se
retiram antes do exército chegar, rumam para o norte, enfrentando e vencendo as
tropas federais pelo caminho.
Os tenentes gaúchos e paulistas acabam por se encontrar na tríplice
fronteira, em Foz do Iguaçu. Os paulistas queriam fugir, mas Prestes decidiu
misturar os tenentes e criar uma nova organização: a “Coluna Prestes-Miguel
Costa” (depois só Coluna Prestes). Esta durou de 1924 a 1927, percorrendo 25
mil quilômetros a pé e marchando em regiões desérticas para despistar o exército.
Muitas pessoas se juntavam à coluna durante a marcha. As lutas contra o governo
não tinham muitas baixas, pois os tenentes tinham treinamento no exterior e Prestes
era um bom estrategista.
Em alguns lugares a Coluna Prestes era mal recebida, devido à "propaganda"
feita pela Igreja e pelo governo contra ela. Em uma cidade do Ceará, um padre
organiza uma resistência. Derrotado, é “julgado” pelos tenentes e castrado em
praça pública (!).
O objetivo da Coluna Prestes era derrubar o presidente Arthur Bernardes
(1922 – 1926). A ideia era lutar contra as tropas do governo nas regiões distantes do litoral e, quando o governo
deixasse a capital desprotegida, outros tenentes tomariam o poder. No entanto,
os tenentes percebem que as condições sociais do país eram tão ruins que trocar
de presidente não iria mudar a estrutura política do Brasil. Percebendo que seu
plano era furado, começam a ir para a Bolívia (1927).
Aos poucos eles voltam para o Brasil. Os últimos a sair da Bolívia foram
os líderes, pois sabiam que o governo estava vigiando-os. O último a sair da
Bolívia foi Prestes.
Aqui em Niterói (RJ) em 1922, operários e pequenos burgueses formam o
Partido Comunista do Brasil (PCB), que se diz membro da II Internacional, uma reunião de comunistas do mundo
todo fundado pelos soviéticos. O curioso é que embora o partido se diga “socialista”,
possui muitas ideias anarquistas. Por isso, só é aceito pela Internacional
depois de 1930.
Em 1927, o secretário-geral do PCB, Astrojildo Pereira vai ao encontro
de Luiz Carlos Prestes na Bolívia e dá a Prestes textos de Lênin e o Manifesto Comunista
de Marx e Engels. A partir disso, Prestes percebe que seu projeto só iria funcionar,
se promovesse uma revolução popular contra o governo. Ele se tornará, ano
depois, o principal nome do PCB.
Em 1926 ocorre a fundação de um partido de classe média urbana em São
Paulo: é o Partido Democrático. Representado por Maurício de Lacerda, lutava
contra as oligarquias agrárias.
A partir de 1930 o movimento tenentista, desiludido com o governo
Vargas, se dilui entre o comunismo e o fascismo.







