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domingo, 10 de maio de 2020

O tenentismo (Brasil, década de 1920)


O tenentismo (1922 – 1930)

Após a 1ª Guerra Mundial, o governo brasileiro – vendo que o exército estava muito despreparado em relação a outros exércitos europeus – decide mandar tenentes para estudar na França. Um tenente é um aspirante a cargos mais altos no exército. Para isso, ele deve estudar dentro da instituição.
Quando estes voltam, se deparam com um exército despreparado, sem equipamentos, sem estrutura para melhorias (estudo, logística etc.). A decepção é enorme. Esses tenentes começam a criticar o exército, mas logo essas se voltam para o governo das oligarquias, que não investem em nada que não esteja voltado a seus interesses, segundo os próprios tenentes. Além disso, eles eram preocupados com as condições sociais e políticas do país e veem na grande pobreza no povo brasileiro e na corrupção do governo, os maiores problemas do Brasil.

 "18 do forte"

Em 1922, no Forte de Copacabana (RJ), ocorre a primeira conspiração de tenentes com o objetivo de derrubar o governo. As primeiras ideias foram de marchar até o Palácio do Catete (sede do governo federal). No entanto, “na hora H”, a maioria dos tenentes desiste. Alguns poucos tenentes decidem sair às ruas mesmo assim. São 17 tenentes armados e com pedaços da bandeira do Brasil presas ao peito. Na rua, um civil se junta a eles. Porém, os planos haviam vazado e tropas do governo cercavam o local. Houve troca de tiros e apenas 2 tenentes sobrevivem.
Revoltados com a repressão que o governo federal realizou em Copacabana, de 1922 até 1924, começaram a estourar manifestações tenentistas em diversos fortes do país. Em 1924 eles tomam a cidade de São Paulo, liderados pelos tenentes Miguel Costa e Siqueira Campos. Durante as duas semanas que dominaram a cidade, a estratégia das tropas fiéis ao governo era bombardear os bairros operários, pois estes eram o principal apoio dos tenentes. Só pra você ter uma ideia, em 1924, há mais de 900 greves em São Paulo (!).

São Paulo bombardeada

Em sua maioria anarquistas, os líderes operários pediram para Siqueira Campos para dar armas para os operários. A princípio, os tenentes acharam uma boa ideia. Mas, dias depois conversando com industriais foram alertados de que “os operários vão fazer aqui, o que fizeram na Rússia!”. Depois dessa, desistiram de da ideia.
Percebendo o impacto que os fortes bombardeios causavam ao povo de São Paulo, os tenentes decidem se retirar da cidade, rumo a oeste, em direção a Foz do Iguaçu. No caminho, são atacados pelas tropas governistas.

Tenentes em São Paulo

Ao mesmo tempo, um ex-tenente apelidado de "Bigodinho" (era o capitão de engenharia civil Luiz Carlos Prestes), foi mandado a Santo Ângelo (interior do RS) para supervisionar a construção de quartéis, devido a suspeita de tramar a revolta em Copacabana em 1922. Ele não pode participar, pois estava doente, com tifo. No sul do Brasil, Prestes organiza os tenentes para um a rebelião. O governo federal manda tropas de Porto Alegre para a região, mas os tenentes se retiram antes do exército chegar, rumam para o norte, enfrentando e vencendo as tropas federais pelo caminho.

Luiz Carlos Prestes

Os tenentes gaúchos e paulistas acabam por se encontrar na tríplice fronteira, em Foz do Iguaçu. Os paulistas queriam fugir, mas Prestes decidiu misturar os tenentes e criar uma nova organização: a “Coluna Prestes-Miguel Costa” (depois só Coluna Prestes). Esta durou de 1924 a 1927, percorrendo 25 mil quilômetros a pé e marchando em regiões desérticas para despistar o exército. Muitas pessoas se juntavam à coluna durante a marcha. As lutas contra o governo não tinham muitas baixas, pois os tenentes tinham treinamento no exterior e Prestes era um bom estrategista.


Em alguns lugares a Coluna Prestes era mal recebida, devido à "propaganda" feita pela Igreja e pelo governo contra ela. Em uma cidade do Ceará, um padre organiza uma resistência. Derrotado, é “julgado” pelos tenentes e castrado em praça pública (!).

 Coluna Prestes

O objetivo da Coluna Prestes era derrubar o presidente Arthur Bernardes (1922 – 1926). A ideia era lutar contra as tropas do governo nas regiões  distantes do litoral e, quando o governo deixasse a capital desprotegida, outros tenentes tomariam o poder. No entanto, os tenentes percebem que as condições sociais do país eram tão ruins que trocar de presidente não iria mudar a estrutura política do Brasil. Percebendo que seu plano era furado, começam a ir para a Bolívia (1927).

Artur Bernardes
 Astrojildo Pereira
                                                                         
Aos poucos eles voltam para o Brasil. Os últimos a sair da Bolívia foram os líderes, pois sabiam que o governo estava vigiando-os. O último a sair da Bolívia foi Prestes.
Aqui em Niterói (RJ) em 1922, operários e pequenos burgueses formam o Partido Comunista do Brasil (PCB), que se diz membro da II Internacional, uma reunião de comunistas do mundo todo fundado pelos soviéticos. O curioso é que embora o partido se diga “socialista”, possui muitas ideias anarquistas. Por isso, só é aceito pela Internacional depois de 1930.
Em 1927, o secretário-geral do PCB, Astrojildo Pereira vai ao encontro de Luiz Carlos Prestes na Bolívia e dá a Prestes textos de Lênin e o Manifesto Comunista de Marx e Engels. A partir disso, Prestes percebe que seu projeto só iria funcionar, se promovesse uma revolução popular contra o governo. Ele se tornará, ano depois, o principal nome do PCB.
Em 1926 ocorre a fundação de um partido de classe média urbana em São Paulo: é o Partido Democrático. Representado por Maurício de Lacerda, lutava contra as oligarquias agrárias.
A partir de 1930 o movimento tenentista, desiludido com o governo Vargas, se dilui entre o comunismo e o fascismo.