Os primeiros socialistas franceses e ingleses e suas formas de reação à industrialização
Entre 1790 e 1830 ocorre a auto-formação da “classe
operária”. A consciência de uma identidade de interesses entre diversos grupos
de trabalhadores contra os interesses de outras classes aparece com fruto da
luta contra a exploração e por direitos políticos e civis na Europa
Ocidental, especialmente na Inglaterra e
França.
Desde o século 18 os artesãos já se organizavam
contra as formas de exploração que sofriam devido à Revolução Industrial. Desde
as “sociedades de correspondência” da década de 1790, passando pelo Luddismo
nas primeiras décadas do século 19 até
Cartismo dos anos de 1830 é
importante observar que “a ênfase excessiva sobre o caráter inovador das
tecelagens pode levar ao menosprezo da continuidade das tradições políticas e
culturais na formação das comunidades da classe operária. Os operários, longe
de serem os “filhos primogênitos da revolução industrial”, tiveram nascimento
tardio. Muitas das suas idéias e formas de organização foram antecipadas por
trabalhadores domésticos. (...) Em muitas cidades, o verdadeiro núcleo de onde
o movimento trabalhista retirou suas idéias, organização e liderança era
constituído por sapateiros, tecelões, seleiros e fabricantes de arreios,
livreiros, impressores, pedreiros, pequenos comerciantes e similares” (Thompson,
A maldição de Adão, p. 16). Para estes, “As questões que provocaram maior
intensidade de envolvimento foram muito freqüentemente aquelas em que alguns
valores, tais como costumes tradicionais, “justiça”, “independência”, segurança
ou economia familiar, estavam em risco, ao invés da simples questão do “pão com
manteiga” (Idem, p. 27).. Por isso, “é indiscutível que as lembranças do meio
rural se incorporaram à cultura da classe operária urbana através de inúmeras
experiências pessoais. Durante todo o século 19, o trabalhador urbano
manifestou o mesmo rancor contra a “aristocracia rural” que o avô talvez tenha
nutrido em segredo. (...) julgava que o latifundiário não tinha “direito” à sua
riqueza, ao contrário do industrial, que tinha “conquistado” a sua, ainda que
por meios abomináveis” (Ibdem, p. 63/64).
Os quebradores de máquinas, ou ludditas, criaram a primeira forma de reação contra o maquinário e
os burgueses que tentavam substituir o homem pelas máquinas. Entre 1812 e 1815
no Centro-oeste da Inglaterra e nas décadas seguintes na Europa continental
(França), os seguidores de “Nedd Ludd” ameaçavam os donos das oficinas e não
sendo atendidos invadiam as oficinas à noite para quebrar as grandes máquinas.
Mas eles não quebravam qualquer máquina, mas apenas aquelas que retiravam
muitos empregos e acumulavam o saber-tecnológico, retirando-o do artesão. O movimento
luddita foi uma primeira forma de resistência organizada numa época em que não haviam sindicatos ou um movimento
organizado para os trabalhadores se defenderem.
O Cartismo foi um
movimento mais “pacífico”, pois pretendiam despertar na sociedade a necessidade
de melhorar as condições de vida dos trabalhadores. Eles organizavam passeatas
(mesmo proibidas), mandavam cartas aos políticos profissionais (deputados,
senadores, etc.) e procuravam organizar candidaturas de pessoas vindas do meio
dos operários.
A partir daí, pessoas que defendiam uma “sociedade
socialista” – em que não houvesse exploração do homem pelo homem e que as
pessoas pudessem ter tempo para o lazer e o descanso – começaram a aparecer no
“movimento operário”.
Na França, Saint-
Simon pregava a necessidade de fábricas que fossem comandadas pelos
próprios trabalhadores, e em que as técnicas de produção não fossem como as da
fábrica burguesa (que esfolam as pessoas para que a produção seja maior em
menor tempo e com maiores lucros); já C. Fourier
queria criar áreas isoladas da sociedade capitalista em que as pessoas
trabalhassem e vivessem isoladas como uma sociedade socialista: eram os
Falanstérios. Na Inglaterra, um industrial de nome Robert Owen procurou criar em suas fábricas uma espécie de vila
socialista em que os trabalhadores, morando ao lado da fábrica, ajudavam a
controlar a produção e as demais atividades ligadas àquela comunidade. A
maioria dessas tentativas foi frustrada pela impossibilidade de isolamento
perante o capitalismo, pois a concorrência da fábrica burguesa arrasava esse
projetos.
Entre muitos outros, devemos destacar: as lutas no
Parlamento (câmara dos deputados) de L. Blanc, defendendo a aprovação de leis
trabalhistas para a classe operária francesa; e, Pierre Joseph-Proudhon que incentivava a criação de diversas
associações de ajuda mútua e de cooperação entre os trabalhadores, tais como
bancos, escolas entre outros. Após algum tempo Proudhon se converteu ao
anarquismo.